No momento, você está visualizando Arquitetura e engenharia estrutural: vão livre na indústria

Arquitetura e engenharia estrutural: vão livre na indústria

Arquitetura e engenharia estrutural caminham juntas desde a concepção de qualquer projeto industrial de grande porte. No entanto, essa integração nem sempre aparece de forma explícita no processo de projeto. Quando as duas disciplinas trabalham separadas, o cálculo estrutural costuma entrar apenas depois da definição arquitetônica. O resultado costuma ser um edifício mais caro, com pilares em excesso. Além disso, a flexibilidade de uso diminui ao longo do tempo.

O engenheiro uruguaio Eladio Dieste demonstrou, ao longo do século XX, o oposto disso. Seus galpões e silos em cerâmica armada venceram vãos que, em muitos casos, ultrapassaram 40 metros, com espessuras de poucos centímetros. Esse resultado prova algo importante: decisão arquitetônica e cálculo estrutural, quando pensados juntos desde o início, reduzem drasticamente o consumo de material. Ainda assim, mantêm a resistência da edificação.

Arquitetura e engenharia estrutural como decisão conjunta de projeto

Um projeto industrial bem resolvido nasce da conversa entre quem projeta o espaço e quem calcula a estrutura que o sustenta. Ele não nasce de uma etapa seguida pela outra. O italiano Pier Luigi Nervi, arquiteto e engenheiro, defendia essa lógica em sua obra “Structures”, publicada em 1956. Para Nervi, a forma de uma edificação deveria nascer da compreensão do comportamento estrutural do material, e não de uma imposição posterior a esse material.

Nesse sentido, esse princípio vale com ainda mais força para galpões, centros de distribuição e plantas fabris. Nesses ambientes, o vão livre determina diretamente a produtividade da operação. Um layout industrial que exige poucos pilares internos permite reconfigurar linhas de produção, trocar equipamentos e ampliar a capacidade sem intervenções estruturais custosas no futuro.

Portanto, quando arquitetura e engenharia estrutural são tratadas como uma única frente de trabalho desde o estudo preliminar, o projeto ganha eficiência dupla. Além disso, menos material é empregado e mais liberdade de uso permanece ao longo da vida útil da edificação.

 O vão livre industrial e o valor do cálculo estrutural integrado

O engenheiro irlandês Peter Rice foi um dos nomes mais influentes na história recente da colaboração entre arquitetura e engenharia. Em seu livro “An Engineer Imagines”, publicado em 1994, ele descreveu o trabalho conjunto com arquitetos. Assim, esse trabalho permitiu soluções estruturais que nenhuma das duas disciplinas alcançaria isoladamente. Rice participou, por exemplo, de projetos como o Centre Pompidou, em Paris. Ali, a estrutura deixou de ser elemento oculto e passou a ser parte da linguagem arquitetônica do edifício.

Em contextos industriais, essa lógica ganha um contorno mais pragmático, mas igualmente relevante. Cecil Balmond, engenheiro que atuou por décadas na Arup, descreve em “Informal” uma ideia central. Segundo ele, soluções estruturais não convencionais surgem quando engenheiro e arquiteto discutem o problema desde o início. Por outro lado, elas raramente aparecem quando o cálculo entra em cena apenas para validar uma forma já definida.

Nesse sentido, o vão livre industrial não é apenas uma característica estética de amplitude. Ele resulta de decisões conjuntas sobre tipo de estrutura, material e sistema construtivo, que a equipe toma antes de fechar a planta baixa. Quando a equipe pula essa etapa, o custo da correção aparece depois. Assim, ele surge em reforços estruturais ou em limitações operacionais, que o cliente só percebe ao tentar expandir a planta.

BIM e a coordenação entre disciplinas em projetos industriais de grande porte

A metodologia BIM (Building Information Modeling) tornou essa integração mais rastreável e menos dependente de boa vontade entre equipes. A norma internacional ISO 19650 trata da organização e digitalização de informações sobre edificações. Nesse sentido, ela estabelece parâmetros para que as equipes de arquitetura, estrutura e instalações trabalhem em um mesmo ambiente de dados. Com isso, a equipe identifica conflitos antes da obra começar, e não durante a execução.

Da mesma forma, a norma brasileira ABNT NBR 8800 rege o projeto de estruturas de aço e mistas de aço e concreto. Ela exige verificações que só fazem sentido quando o volume e a geometria do edifício já estão definidos. Por isso, essa definição precisa acontecer em conjunto com a equipe de arquitetura. Diante desse cenário, projetos industriais de grande porte, que frequentemente utilizam estruturas metálicas para viabilizar grandes vãos, dependem dessa coordenação para evitar retrabalho entre as disciplinas.

Assim, o uso de uma plataforma BIM comum entre arquitetura e engenharia estrutural não é apenas uma ferramenta de desenho. Ele é o espaço onde a integração entre as duas disciplinas se torna verificável, documentada e menos sujeita a interpretações divergentes ao longo da obra.

Arquitetura e engenharia estrutural, indústria e o olhar Pezzette Loro

A Pezzette Loro estrutura sua atuação exatamente sobre essa integração entre arquitetura e engenharia estrutural. Essa integração é tratada como uma única frente de trabalho desde a concepção de cada projeto industrial. Essa abordagem está descrita com mais profundidade na página Sobre Nós do escritório, que apresenta o modelo de atuação conjunta entre as duas disciplinas. Além disso, a página de Arquitetura Industrial reúne os critérios técnicos aplicados a esse tipo de projeto.

Pendência para o time: se houver um projeto industrial do portfólio com dados públicos sobre vão livre, sistema estrutural adotado ou área construída, vale citá-lo nominalmente aqui. Nesse caso, o padrão pode seguir o já usado no artigo sobre a Sicredi Vanguarda.

Para acompanhar novas reflexões sobre arquitetura industrial e integração entre disciplinas de projeto, vale seguir as atualizações mensais do Blog Pezzette Loro.

Recomendações de leitura sobre o tema:

  • Pier Luigi Nervi | Structures;
  • Eladio Dieste | La Estructura Cerámica;
  • Peter Rice | An Engineer Imagines;
  • Cecil Balmond | Informal;
  • International Organization for Standardization | ISO 19650-1, Organization and Digitization of Information about Buildings and Civil Engineering Works;
  • Associação Brasileira de Normas Técnicas | NBR 8800, Projeto de Estruturas de Aço e de Estruturas Mistas de Aço e Concreto de Edifícios.